Prepare-se para mergulhar em um universo de mistérios e criaturas perturbadoras! Em uma conversa revelada, Guilherme de Assis Pinto nos leva aos bastidores de sua obra As Crias de Babalon. Você não vai querer perder essa entrevista imperdível!
1. As mídias sociais desempenham um papel para você como autor?
R: Existe dois aspectos a se considerar neste quesito, as mídias sociais
atualmente são praticamente a vida das pessoas, enquanto “lá fora” (na vida
real, sem filtros) se tornou um momento raro.
Dessa forma, estar dentro e interagir é mais que necessário, então
considero sim que tanto como escritor ou qualquer que seja o conteúdo criado
pelo indivíduo, como música, pintura ou arte de forma geral, se torna o veículo
primordial para estar frente a frente com o possível consumidor.
Mas em contrapartida, produzimos para “fora” da rede, me refiro ao fato
de que vídeos são curtos, textos são limitados, as redes são apenas “janelas”
para a nossa proposta, quase como um pequeno trailer de algo maior, e para o
artista, é importante manter sempre definido este papel, para não o limitar
criativamente.
2. De onde surgiu a inspiração para explorar lendas e criaturas tão obscuras e desconhecidas em As Crias de Babalon?
R: Geralmente eu vejo escritores novos partindo de textos pequenos (contos
ou ensaios) e só então quando estão confiantes, arriscam escrever um livro
grande, porém comigo foi o contrário, já escrevi dois livros, então resolvi
experimentar o universo fantástico dos contos, isso se deu em 2022, comecei a
escrever um conto, mas conforma eu escrevia, ele encorpava, acabou se tornando
um livro pequeno, ou um conto grande, chamado “Funeral no Carpathia”, e o
lancei em 2023, ainda neste ano, e tentando desta vez manter o formato de
conto, parti para os que formaram este livro, acabou que um conto em especial,
que não está incluso neste livro, eu também o lancei sozinho, chamado
“Oswiecim”, que é a como se escreve Auschwitz em polonês, este conto participou
de alguns concursos.
Enfim, agora sim, partindo para os contos que então fazem parte do As
Crias de Babalon, eu decidi escrever contos de suspense e terror, e queria
impactar com um título do qual os frequentadores de livrarias esbarrassem com
ele e sentissem algo, seja repulsa, curiosidade ou medo, acho que os livros
mais memoráveis neste aspecto conseguiram transmitir isso, e humildemente
tentei fazer o mesmo.
Me inspirei, por incrível que pareça, no maior e mais perigoso monstro
que existe, o ser humano.
3. O que motivou a escolha de uma narrativa de contos em vez de um romance completo para abordar esses temas sombrios?
R: Eu admiro quando uma ideia ou
conceitos é transmitido de forma simplificada e causa o mesmo impacto de
centenas de páginas, tanto que para mim, um dos melhores livros de terror que
já li, foi o Médico e o Monstro.
Acredito que existe espaço para todos os estilos e tamanhos de narrativa,
no caso deste livro, o formato de conto casa com o fator de abranger mais
histórias em um compilado só.
4. Existe alguma mensagem subjacente sobre a natureza humana que você gostaria que os leitores percebessem ao ler sobre esses contos?
R: São histórias fantásticas contendo características sobrenaturais, mas
sutilmente, o leitor pode chegar a conclusão que em sua grande maioria, o
causador do caos nestas pequenas histórias é o humano e não as entidades, eu
quis demonstrar que as vezes o medo do desconhecido pode nos cegar para o maior
vilão, aquele que está bem vestido, perfumado e com palavras agradáveis,
enquanto o feio é tachado de perigoso ou mortífero.
5. Há algum conto específico que o instigou mais do que outros durante a escrita da obra? Se sim, por qual motivo?
R: Esta é uma ótima pergunta, que me permite
inclusive afirmar, o conto O Tigre de Ósmio, foi mais que inspiração, ele é verídico
sobre meu passado, sem tirar nem por, e me peguei o escrevendo assim, sem
mascarar nada, o que me fez reviver vividamente um momento muito triste, antes
de incluí-lo, pedi a minha mãe que o lesse e desse permissão para que o
publicasse, ela teve então uma nova experiência, desta vez pela ótica de uma
criança, confesso que conversamos muito sobre tudo e ela se sentia muito
culpada por minha experiência, foi uma conversa daquelas de tirar um peso das
costas para ela, eu nunca a culparia por nada, nem teria cabimento, ninguém
deveria sentir este peso.
6. Escrever uma obra é um ato fascinante, exaustivo ou os dois?
R: Para mim é um ato fascinante, muita gente medida, muita gente viaja
para uma praia ou algo do tipo, eu “viajo” quando escrevo e saio um tantão da
realidade, mesmo em uma história de terror ou triste, está fuga da realidade é
terapêutica para mim.
7. Acredita que esses contos poderiam representar metáforas para aspectos da condição humana, como a crueldade ou a selvageria?
R: Sim, sem dúvida alguma representam nuances de pessoas que estão ao
nosso lado em um mercado ou em uma rua transitando normalmente, são pessoas que
não podemos detectar as verdadeiras intenções, nunca julgue as pessoas pelas
roupas, sorriso ou o que quer que seja, quanto mais estiverem escondidas nestas
“máscaras”, mais você deve desconfiar. Mas devo acrescentar que apesar de
apontar estas nuances em meus contos, não justifico e muito menos apoio tais
atos, vejo muita gente romantizando vilões atualmente, e isso não é sadio.
8. Existe alguma mensagem subjacente sobre a natureza humana que você gostaria que os leitores percebessem ao ler sobre a obra?
R: Depois que li alguns contos nórdicos muito
antigos, notei que eles não compunham suas histórias baseados nas “fórmulas”
contemporâneas que tanto usamos, como moral da história e etc, eles contavam
acontecimentos que muitas vezes sequer tinham algum final, eram passagens,
quase como pegar uma conversa pela metade quando estamos em um ônibus ou metrô,
e antes de ouvir o final, temos que tomar um caminho diferente em que o
narrador está tomando, isso desconstruiu de certa forma o meu senso de
obrigatoriedade de criar um começo, meio e fim do jeito convencional, não que
os contos deste livro não tenham final, mas eu me refiro a seguir a velha e manjada
“receita de bolo”, eu tento causar no leitor então, dúvidas e mais de uma rota,
onde existem então mais de uma resposta, ou interpretação, e todas elas são
certas, ou não, quem sabe? Apenas desejo que o leitor feche o livro ao final, e
os personagens e situações os peguem pela mão e continuem os levando longe
nestas situações.
Viagem, pensem e usem a imaginação, este é o maior
presente que dou a vocês.
9. Você já experimentou o bloqueio do autor? Como você superou isso?
R: Sim, creio que este é um fenômeno bem chato, que consegui me
resolver, penso que ele aparece toda vez que temos na cabeça a ideia de que
temos que escrever, nesta hora, apenas discorde e entenda, você não tem que
escrever, e vá fazer outra coisa, vá viver, as ideias irão voltar correndo até
você.
As abrace, e nunca as obrigue, e tudo dará certo hahaha.
10. Qual sua frase de incentivo para os autores iniciantes?
R: Não procure aprovação da família ou amigos, ou irão dizer que tudo está incrível, ou não te darão atenção, então não escreva para eles, escreva para você, e se está bom pra você, é o primeiro passo para que seja uma boa obra, esse é o começo de tudo.

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