[O PORTEIRO, Glauber Marques] Entre a guarita e a vida

 


Resenha: O Porteiro, de Glauber Rocha, constrói sua narrativa a partir da portaria de um edifício residencial, espaço de onde Antônio observa a circulação dos moradores e, pouco a pouco, passa a participar de suas histórias. A guarita funciona como ponto de encontro de diferentes vidas, revelando conflitos familiares, solidão, perdas, relações afetivas e desigualdades que existem para além das portas dos apartamentos.


A estrutura do romance acompanha Antônio e, ao mesmo tempo, abre espaço para as histórias dos moradores do Edifício Drummond. O protagonista começa como um homem marcado pela responsabilidade com a mãe, pelo trabalho e pela dificuldade de estabelecer vínculos. Seu contato com os livros, especialmente com a literatura clássica, torna-se uma das poucas formas de ampliar o mundo para além da rotina que lhe foi destinada.

Ao longo da narrativa, Antônio deixa de ser apenas observador. Apesar da orientação para não se envolver com os moradores, estabelece relações de amizade, acompanha conflitos e participa de ações de solidariedade. Essa aproximação transforma a própria função do personagem: a portaria passa a ser um lugar de escuta, onde ele conhece as pessoas não apenas pelo que aparentam, mas também pelas fragilidades que revelam. 

A passagem do tempo é fundamental para o romance. Nascimentos, mortes, doenças, separações, envelhecimento e mudanças na vida dos moradores acontecem enquanto a rotina de Antônio permanece aparentemente repetitiva. Depois da morte da mãe, porém, ele percebe que a libertação da obrigação de cuidar dela não significa libertar-se imediatamente das marcas deixadas por essa relação. O passado continua interferindo em suas tentativas de construir uma vida própria. 

Capa: brochura
Páginas: 115
Estilo: ficção brasileira contemporânea
Autor(a): Glauber Marques