[Irmãos de Todos os Tempos, Plínio Marcos B. Garcia] Entre a pedra e o afeto
Resenha: Irmãos em Todos os Tempos reúne poemas que gravitam em torno
da experiência humana sem se limitar a um único tema. O livro percorre a
solidão, o amor, a perda, a memória, a espiritualidade e o desejo de
pertencimento, organizando esses assuntos em textos independentes que se
conectam pela recorrência de determinadas imagens. Pedras, caminhos, vento,
flores, água e luz reaparecem ao longo da obra, criando um repertório simbólico
que acompanha o leitor de um poema ao outro.
A construção dos poemas privilegia a imagem sobre a narrativa. Em vez de
desenvolver acontecimentos, Plínio Marcos Basílio Garcia aproxima sensações,
perguntas e metáforas, fazendo com que o sentido se forme pela associação entre
elas. Em muitos momentos, o eu lírico transforma elementos cotidianos em
símbolos de estados interiores, como acontece em "Gritos de pedras",
"Confronto" e "O caminho", onde a caminhada deixa de ser
apenas deslocamento físico para representar o enfrentamento das próprias
limitações.
Outro aspecto recorrente é a alternância entre a dimensão íntima e a coletiva.
Há poemas centrados em relações amorosas, lembranças e conflitos pessoais,
enquanto outros ampliam o olhar para a condição humana, aproximando sofrimento,
esperança e solidariedade. Essa oscilação impede que a leitura permaneça
restrita a um único registro emocional e faz com que diferentes perspectivas
convivam dentro da mesma obra.
Ao longo do livro também se percebe uma mudança na condução da escrita. Nos
primeiros poemas, predominam construções marcadas pelo acúmulo de imagens e por
um fluxo mais intenso de metáforas. Conforme a obra avança, os textos passam a
concentrar melhor seus elementos, permitindo que uma ideia permaneça por mais
tempo no centro do poema. Não se trata de abandonar a linguagem simbólica, mas
de empregá-la com maior unidade, como se observa em poemas como "Ser
só", "Liberdade" e "Falhas de identidade", nos quais
as imagens convergem de forma mais consistente para o núcleo da reflexão.
Embora o amor esteja presente em boa parte dos poemas, ele não aparece apenas
como vínculo afetivo. Em diferentes momentos assume o papel de força
transformadora, de ausência, de memória ou de possibilidade de reconstrução. Da
mesma forma, a dor não é apresentada como destino definitivo, mas como uma experiência
que dialoga constantemente com a esperança, o recomeço e a busca por novos
sentidos.
Ao final da leitura, Irmãos em Todos os Tempos se revela um livro construído
pela repetição consciente de símbolos e pela circulação entre diferentes
estados emocionais. Seus poemas convidam o leitor a percorrer esse conjunto de
imagens sem a necessidade de encontrar respostas únicas, permitindo que cada
texto acrescente uma nova variação às questões que atravessam toda a obra.
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Capa: brochura
Páginas: 103
Autor(a): Plínio Marcos B. Garcia
Editora: Costelas Felinas
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